Revisitando Encontros e Desencontros (Lost in Translation)

   Acredito que fiz bem na minha estréia aqui no Casa do Cinema trazendo um pouco sobre a obra prima Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, um dos meus filmes favoritos da vida, porém não é o número 1, mas hoje decidi trazer o meu favorito de todos os tempos. Como fiz no post anterior, estou revisitando este clássico, que completou já 13 fucking years old, e é considerado um novo clássico cult dos tempos modernos, podendo se dizer o mestre dos filmes hipsters, porém com uma pegada única na comédia/drama/romance. Espero muito conseguir transmitir um pouco do que esse filme significa para mim e para a indústria do cinema, mas após ler o post, por favor, olhem essa obra!

Sinopse:

   O filme se passa em Tokyo, Japão, no ano de 2003, onde uma marca gigantesca de Whiskey precisa gravar um comercial para seu novo produto, e precisa contratar um ator famoso, ou que fez muita fama. Essa empresa quer alguém elegante, uma pessoa com classe, um senhor já bem estabelecido na sua vida, devido ao publico alvo de sua bebida ser pessoas nessas características, então ela contrata direto dos EUA o ator Bob Harris, interpretado pelo mestre de todos atores Bill Murray. Bob é um ator que teve seu auge de fama nos anos 70, e agora ele está em declínio, caindo ao esquecimento, sendo assim aceitando papéis para comerciais e outras coisas menores, ainda que para este comercial de Whiskey ele ganhará uma fortuna.

   Já perambulando no Japão um tempo antes do Bob chegar, esta a bela Charlotte (Scarlett Johansson), acompanhando seu marido John (Giovanni Ribisi) que está a trabalho fotografando umas bandas de J-Rock, problema que é um Workaholic e deixa a pobre garota sozinha por dias no hotel. Entediada, ela fica decorando o quarto do hotel, escutando músicas e dando umas bandas pelo hotel e por Tokyo, mas maior parte do tempo ela passa no bar do hotel escutando músicas americanas e bebendo vodka.

 

 

 

   Quando Bob chega em Tokyo, ele passa quase pelos mesmos problemas da Charlotte, em seu tempo livre ele tenta matar o tédio dando bandas pelo hotel, indo pro bar, depois indo gravar um que outro comercial, depois de volta para o bar. Nessas idas e vindas no bar, Charlotte nota de longe um homem elegante de smoking sentado no meio do balcão, bebendo sozinho e com uma aparência bem exausta, interessada e curiosa com está peculiar pessoa sentada bem no centro da visão de todos, ela manda o garçom dar uma bebida a ele, que de longe bebe e agradece balançando a cabeça, e neste momento os dois tem seu primeiro contato.

   Os dois estão com problemas ao dormir, na verdade, não dormem nada, devido ao fuso horário, nisso continuam vagando no hotel, seu ponto de ‘segurança’, onde Bob pelo menos tem o plano de ficar até  fim de sua estádia no bar, sendo assim, em uma madrugada de insônia, senta ao seu lado a garota que lhe ofereceu aquele drink, Charlotte, e aí começam a se conhecer melhor. No dia seguinte Bob tem que sair para gravar seus comerciais, e assim enfrentando uma dificuldade gigantesca em tentar entender o que os diretores japoneses querem que ele faça, e para piorar a sua tradutora é uma que está totalmente perdida na tradução, então já da para imaginar a confusão, mas que por incrível que pareça, é muito engraçada. Já Charlotte decidiu visitar alguns pontos turísticos da capital, de metrôs altamente complexos, casas de fliperamas com barulhos ensurdecedores, a templos localizados no centro de Tokyo mesmo.

 

 

   Ambos após esse tempo todo totalmente perdidos em um mundo estranho para eles, estão também se sentindo solitários, e nessa solidão que eles encontraram refúgio um com outro, uma amizade, um amor mutuo cresce, e em um desses esbarrões deles pelo hotel, decidem compartilhar um com outro a solidão , saindo perdidamente pelas ruas de Tokyo a noite, iluminadas por uma imensidão de telas de neon’s e lcd, com dizeres fora do comum para nosso casal ocidental.

Sobre o filme:

   O filme se desenrola basicamente nessas saídas, nesses encontros dos dois em lugares e situações um tanto quanto bizarras, trites, engraçadas e românticas. Falando assim parece um filme pastelão de romance, porém não é, o foco deste filme, ou um deles,  é mostrar o mal das relações atuais e de como duas gerações podem sofrer do mesmo problema, tanto pessoais como de uma vida a dois, compartilhando o mesmo sentimento de frustração, só que tendo o desvio e fuga disso tudo na maravilhosa cidade de Tokyo, onde enquanto eles estiverem ali, vão criar momentos inesquecíveis para o resto de suas vidas. Não entenda também que é umas fugidas para se agarrarem um ao outro, muito pelo contrário, o amor dos dois são expressados de outra maneira, no companheirismo e no compartilhamento desse sentimento mutuo que os dois estão passando,  por que como eu disse, na solidão os dois encontraram uma amizade, uma semelhança, mas ambos são casados e Bob já possuí filhos, mesmo que estes junto com sua mulher não dão mais muita bola para ele…

   Muita gente não gostou do filme por achar que ele não tem objetivo, mas além do que falei acima, ele foca em mostrar que nossa vida são feitas de momentos, e que devemos aproveita-los e depois de acabados, deixa-lo lá, intocado, como nosso grande segredo aquele lugar ou época especial da nossa vida que só você e certas pessoas que vivenciaram vão entender o quanto especial foi, e assim é para Charlotte e Bob, que tiveram muitos momentos mágicos no Japão, mesmo os dois estando perdidos na tradução, porém não pense que somente sozinhos eles perambularam pela cidade, eles encontraram um pessoal bem legal por lá, todos japoneses!

   Este filme quando eu olhei, fiquei apaixonado mais ainda pelo Japão, eu tenho uma queda muito grande por este país, e Sofia Coppola fez um magnífico trabalho em mostrar esta cultura a nós de um ponto de vista ocidental, mas sem tirar sarro do jeito deles, mas sim tirando sarro de nossa reação ao depararmos a estranha cultura nipônica. Os momentos mostrados no filme, são perfeitos, mas dentro do contexto da história do filme, se cada um de nós fossemos para lá, sem dúvida teríamos nossos próprios momentos especiais, ou quem sabe conheceríamos alguém muito legal lá, e que cada vez que lembrássemos do Japão, remeteríamos e esta pessoas que preferimos não manter contato, para deixar está memória intocada.

 

 

   E assim lá se foram 13 anos que foi lançado esta obra prima, para mim ainda o melhor filme que já vi, e o incrível que você ainda olha para o Japão mostrado no filme, ele continua surpreendentemente tecnológico, muito mais avançado que o nosso país, e dentro desse mar de painéis eletrônicos, uma tradição e respeito forte pelo outro, pela história do lugar, uma tradição invejável. Para você que não olhou este filme, não comentarei nada sobre o fim do filme, mas abaixo algumas cenas importantes que mostram o quanto perfeito é ele, talvez lendo e vendo as cenas, você se interesse em aluga-lo/baixa-lo e olhar.

 

Contraste de Ambientes:

   Para dar um pequeno exemplo do quanto contraste o filme tem, ou melhor, o Japão, uma cena tranquila e de solidão da Charlotte no seu quarto, admirando a bela Tokyo pela janela. Na outra cena a confusão de uma ‘casa’ de fliperama da cidade, onde mostrei anteriormente.

 

 

Perdido na tradução:

   Uma, das várias, cenas em que Bob precisa captar a mensagem do diretor para poder atuar, só que ambos não se entendem, tudo devido a uma tradução totalmente perdida e vaga, mas o melhor é a cara de pavor do nosso ator Bill Murray ehehhehe

 

Música:

   A trilha sonora cria uma alma a este filme, te coloca ainda mais dentro do sentimento dos personagens, o que eles estão passando, e ajuda a eternizar em nossas memórias os momentos mais especiais do filme. Uma das cenas que eu acho que tem uma música sensacional é a cena anterior da janela, onde Charlotte está olhando Tokyo, mas existem muitas outras, só que prefiro não colocar estas cenas, quero que vocês que ainda não olharam, tenham a mesma reação que tive ao vê-las, mas posso adiantar que tem som das bandas Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine, sendo que muitas músicas feitas para o filme, foram compostas pelo cabeça da My Bloody Valentine, Kevin Shields… ta, tudo bem, tem um vídeo que posso mostrar sim, que é um clipe bônus do DVD, onde Charlotte está dando uma banda por Tokyo, só isso, não tendo problema em comprometer o filme.

 

Kevin Shields – City Girl:

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fdeivdvb%2Fvideos%2Fvb.100000118798022%2F195545273792764%2F%3Ftype%3D3&show_text=0&width=560

 

Fotografia:

Um dos pontos também muito elogiados foram a fotografia do filme, onde conseguiram capturar com maestria as cores, os melhores ângulos e sentimento de cada lugar!

 

 

Sinopse Cult Movie por Marcelo Janot:

 

   Enfim, são muitas coisas que posso falar deste filme, mas também não quero estragar ele para quem não olhou ainda, mas espero que eu tenha conseguido pelo menos um pouco, fazer uma homenagem  decente a este filme. Espero que tenham gostado, se puderem compartilhar o link desta postagem, seria muito grato, quanto mais pessoas souberem e olharem este filme, melhor.
Muito Obrigado Sofia Coppola, por ter criado este filme, ter feito algo tão perfeito que ficará em minha memória para sempre, como aqueles momentos especiais que um dia poderei quem sabe ‘reviver’ quando eu for para o Japão!
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Deivd Krug

Junte guitarras com distorções, uma psicodelia e tem o meu amor por música definido aí. Um fã da cultura nipônica, de seus jogos, filmes e animes. Um infeliz órfão da SEGA e quem sabe um futuro analista de sistemas.