CRÍTICA – Rua Cloverfield, 10

rua-cloverfield-3A primeira coisa importante para se saber é que Rua Cloverfield, 10 não é uma continuação Cloverfield – Monstro. O filme, lançado em 2008 também teve produção de J.J Abrams e seu roteirista, Drew Goddard, agora participa apenas na produção executiva. As semelhanças estão na produção e no marketing dos filmes, que surgiram de forma misteriosa, sem grande alarde. Mas elas param por aí. O novo longa não segue o Found Footage (onde a filmagem é feita do ponto de vista de um personagem) e, de acordo com o próprio J.J, se ambienta no mesmo universo, mas é algo mais semelhante a um primo distante. Até existem alguns pequenos easter eggs, mas nada de muito revelante.

A trama de Rua Cloverfield, 10 apresenta a personagem Michelle (Mary Elizabeth Winstead), que é uma jovem acostumada a fugir de seus problemas. Depois de uma briga, ela deixa seu marido e sua casa para trás e parte para algum lugar desconhecido. No caminho, se envolve em um acidente de trânsito e acorda presa em um quarto pequeno, algemada pela perna. Ela acaba descobrindo que está presa num bunker, criado por Howard (John Goodman), e ele afirma que a salvou do acidente, que o mundo sofreu um ataque nuclear e o único lugar seguro para estar é aquele. Lá, também está Emmett (John Gallagher Jr.), um morador da região que sabia da existência do bunker e correu para buscar socorro.

rua-cloverfield-4Dirigido pelo estreante Dan Trachtenberg, o filme se separa em três atos que são bastante distintos uns dos outros. O primeiro ato é bastante lento e sutil. Chega a se assemelhar com as aberturas dos clássicos de suspense o terror dos anos 80, no melhor estilo O Iluminado de Kubrick. A partir do acidente de carro, o filme toma outra direção. Ambientado todo dentro do bunker, o filme começa a criar um clima de tensão e sufocamento no espectador. Os detalhes do cenário foram muito bem elaborados e fazem um trabalho de ambientação muito bom, para que o público entenda como tudo aquilo foi criado. Existe um jogo de câmeras muito bem trabalhado, com momentos bem diversificados. Em geral, quando o trio está junto, a filmagem se mantêm estável, mas quando tem alguma ação ocorrendo, a câmera passa para a mão do diretor, que usa essa técnica para dar mais emoção à cena. É interessante perceber a sutileza do uso da lente “olho de peixe”. São momentos curtos e pouco utilizados, mas trazem um nível de detalhe muito bom para o filme. O ultimo ato do filme irá dividir opiniões, mas não creio que ele deva ser o fio condutor para gostar ou não do filme.

Vou deixar o ato final do filme para depois e comentar o roteiro e o elenco. Com cenas de grande intensidade, o elenco atua em alto nível. John Goodman mostra toda sua experiência e entrega uma atuação excelente, que pode até levá-lo a competir por uma estatueta do Oscar (acho improvável, já que o filme foi lançado fora da época de grande visibilidade pela Academia). Ele interpreta um personagem de estilo rústico, bastante paranoico e com acessos de raiva que ajudam a manter o nível de tensão no filme. A protagonista é muito bem interpretada por Mary Elizabeth Winstead. Ela precisa apresentar a fragilidade da sua personagem e a reviravolta que ela sofre ao deixar de fugir dos problemas e fazer de tudo para enfrentá-los. É uma personagem forte, que se constrói ao longo do filme e consegue cativar muito bem o público. O terceiro elemento do filme, John Gallagher Jr, é responsável por situações de alívio cômico em um ambiente de grande aflição e angústia.

rua-cloverfield-2O roteiro, muito bem trabalhado, prende a atenção do público pelo suspense e alguns instantes de terror. Ele cria essa dúvida sobre o que está realmente acontecendo e se o que foi revelado até agora é verdade. Existem diversas reviravoltas que servem para criar envolvimento com os personagens e também com a trama do filme. Muito disso é ajudado pela excelente trilha sonora, que flui muito bem e deixa sem fôlego quem está assistindo.

Rua Cloverfield, 10 é um filme muito bom, que cria um excelente ambiente claustrofóbico e deixa o público ansioso para saber o que acontece no instante seguinte. A tensão imposta pela trama é muito bem desenvolvida pelo elenco, que faz do filme um bom entretenimento. É uma excelente estreia do diretor  Dan Trachtenberg e criar expectativas para o que pode surgir em seus próximos filmes.

NOTA: 8.5

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Lucas Schardong

Estudante de jornalismo. Hobbit, portador de uma das peças da TriForce e mochileiro das galáxias. Ajudante de encanador nas horas vagas. Seguidor da filosofia "Don't Panic!".